
Nesta ultima quinta feira, aproveitando a ótima promoção que estava tendo no kinoplex, peguei um ônibus e fui ao cinema para assistir mais uma vez “Blindness”, novo filme de Fernando Meirelles. Como as imagens ainda continuam frescas em minha mente, resolvi fazer uma resenha sobre este maravilhoso filme.
Começo com uma confissão: sou fã de Meirelles e pago um pau desgraçado pra ele mesmo... então, posso ser considerado suspeito ao dizer tão bem deste filme... mas tentei ser critico e não fã... juro...

Acontece que o filme é arrebatador mesmo. Filosófico, emocionante, um filme que abre espaço para várias interpretações. Baseado no romance de José Saramago (um gênio da literatura... se nunca leu nada dele, leia!) a história fala sobre uma inexplicável epidemia que assola a humanidade, deixando todos cegos. Focando seu texto em personagens distintos, vemos o novo mundo pelos olhos da “mulher do médico” (nenhum personagem tem nome), esta é imune a cegueira, o que a enche com uma responsabilidade sem igual, contrariando o antigo ditado de que em terra de cegos quem tem olhos é rei (ou alguma coisa assim). Toda essa trama é uma grande metáfora para que possamos refletir sobre nossa visão do mundo, e das pessoas com quem convivemos, mostrando que talvez apenas como cegos podemos realmente enxergar a verdadeira pessoa, “aquilo que não tem nome, aquilo que somos”... como diz o sábio “velho da venda preta”.
Em aspectos técnicos, o filme esta impecável, com uma equipe criativa praticamente inteira brasileira. O Roteiro consegue transmitir a essência do livro para as telas, amenizando certas passagens, mas não sem um motivo. A montagem do sempre competente Daniel Rezende é ágil, mas respeita os grandes momentos do filme. A fotografia, um dos pontos altos da fita é maravilhosa e inovadora.

Usando uma paleta de cores branca o diretor de fotografia César Charlone nos passa a visão do cego de Saramago, que a descreve como “estar mergulhado em um mar de leite”. Pra finalizar, a excepcional direção de Fernando Meirelles que para mim, além de ser o melhor diretor brasileiro, desponta como um dos melhores do cinema atual. Registrando sempre os momentos talentosamente, mesclando racionalidade com instinto, cenas cruas com as dramáticas, sempre na hora certa. O elenco também não fica para trás... Inspirados, os atores têm que se superar para conquistar o público, a dificuldade deste para se afeiçoar por personagens sem nome e sem passado é grande, mas creio que eles cumpriram o objetivo. O único que não fui muito com a cara foi o “velho da venda preta”, interpretado por Danny Glover, achei que ele passou um tanto apagado no filme e suas cenas não foram tão inspiradoras quanto as do livro (onde ele carrega as melhores falas). Por último, a trilha sonora... Eu gostei, mas tem uma musica que não me agradou, não achei que combinou com a cena, ou até com o filme, mas tem faixas geniais também, como a que toca no encontro do “primeiro cego” com sua mulher.
Concluindo, recomendo a todos esse filme. Tem cenas fortes ... sim, tem... mas nada gratuito. Uma história maravilhosa desenvolvida com maestria. É claro que muitos que viram não gostaram, mas bom... essa é minha opinião. E para quem assistiu que deixe também a sua.

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